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20/09/2018
Montadoras apresentam modelos de veículos autônomos

Automação é destaque no IAA 2018; produção de veículos híbridos, elétricos e com outras formas alternativas de propulsão também estão em evidência

Foto: Natália Pianegonda/CNT


Andar pelos corredores do IAA 2018 é uma imersão no que há de mais avançado em termos de tecnologia para o transporte de cargas e de passageiros no mundo. O salão de veículos comerciais de Hannover (Alemanha) abre as portas oficialmente para o público nesta quinta-feira (20), mas, nessa quarta (19), já recebeu jornalistas de todo o mundo para que as empresas expositoras apresentassem os novos produtos para o mercado e os produtos nos quais estão trabalhando para o transporte do futuro. 

A automação é um dos pontos fortes do evento de 2018 e uma das principais apostas das montadoras para os próximos anos. Mercedes-Benz e Volvo estão entre as que apresentaram ao público, nessa quarta, modelos que andam sem a intervenção humana. A primeira demonstrou o Vision Urbanetic; a segunda, o Vera. 

O modelo da Mercedes-Benz se assemelha a uma cápsula cujo design foi projetado para se adaptar a diferentes tipos de demanda, como transporte de cargas ou de passageiros. Já o da Volvo é um veículo no qual é possível acoplar um reboque. Com tração totalmente elétrica, a empresa o projetou para fazer percursos repetitivos, que costumam ser mais desgastantes e menos produtivos para os motoristas. Nenhum dos modelos, contudo, já é disponibilizado para o mercado. Ambos estão em fase de testes. Por enquanto, as empresas comercializam produtos que adotam a tecnologia autônoma de forma parcial.​

 

​E se você é um daqueles que pensam que essa é uma realidade muito distante da brasileira, repense. Isso porque a Volvo já comercializou sete caminhões (VM) com tecnologia autônoma para uso em plantações de cana no Brasil. A Mercedes-Benz, por sua vez, anunciou que também desenvolveu um modelo (Axor 3131) e que já negociou 16 caminhões com a mesma finalidade no mercado brasileiro. 

A vantagem da tecnologia autônoma, segundo as empresas, é a precisão: guiados por meio tecnológico, a chance de esses caminhões passarem por cima da plantação é inferior, se comparados a veículos guiados por humanos. Ou seja, as perdas na agricultura são reduzidas. "O Brasil pode estar na vanguarda desse​ processo. Quem vai dizer o tempo em que isso ocorrerá é o mercado e a infraestrutura", avalia Alan Holzmann, diretor de planejamento estratégico de produto da Volvo na América Latina. 

O motorista dos veículos autônomos

Mesmo com certo nível de autonomia, os veículos com tecnologia autônoma que já estão em operação ou prontos para começarem a rodar requerem um condutor que dirija o caminhão nos trajetos entre a garagem e a plantação. Além disso, o condutor permanece na cabine monitorando as operações. 

Nesses casos, o nível de autonomia ainda é baixo. Mas, se a tendência é que ele aumente em carros, ônibus e caminhões de modo que os veículos façam cada vez mais coisas sozinhos, há uma certeza: o papel do motorista vai mudar. 

"O motorista vai precisar mais monitorar a operação do que efetivamente dirigir. Há uma série de sistemas de segurança e de conectividade para auxiliá-lo. Então, ele vai monitorar esses sistemas e deverá ter a habilidade de ser um operador logístico, conversando com sua base sobre suas rotas, seus clientes, os tempos de carga e descarga. Estamos passando por uma transformação grande da expectativa sobre a atuação e a formação desse motorista. É como se ele fosse trabalhar em um escritório, com conforto e com ar condicionado", diz Marcos Andrade, gerente de produtos caminhões da Mercedes-Benz. 

Além disso, para a Volvo, veículos autônomos devem começar a operar em áreas restritas, como no caso de plantações agrícolas e em zonas de mineração. Somente depois é que poderão ser levados para rodovias e para o complexo ambiente das vias urbanas. 

Combustíveis alternativos

Outro destaque do IAA 2018 são as formas de propulsão alternativas ao diesel, especialmente para o trânsito de veículos comerciais em zonas urbanas. Onde quer que se passe no salão, é possível verificar opções de caminhões, ônibus, vans e utilitários de híbridos a 100% elétricos. 

As empresas buscam, com isso, disponibilizar alternativas para o mercado com redução das emissões de CO2 e de ruídos. "O Brasil tem um grande potencial, como, por exemplo, para etanol, gás natural e até lixo como fonte de energia. Essas são soluções que estão presentes aqui e agora para um transporte mais sustentável", diz o presidente e CEO da Scania, Henrik Henriksson. A montadora lançou, durante o IAA 2018, uma nova geração de caminhões equipados com um sistema que facilita as operações em zonas sensíveis (como áreas de proteção ambiental locais) e mudam automaticamente do modo híbrido para o elétrico a fim de respeitar as legislações locais. 

Mercedes-Benz e Volvo também apresentaram produtos com tração elétrica. Executivos das montadoras acreditam que a oferta de energias renováveis no Brasil é um ponto forte para a eletrificação da frota no país. E apesar de questões como legislação e infraestrutura ainda serem empecilhos para a popularização dos elétricos, as empresas consideram que esse é o caminho para um transporte mais sustentável, especialmente para atividades comerciais em áreas urbanas, como entregas de mercadorias e transporte de passageiros. 

A jornalista viajou a convite da Anfavea









Natália Pianegonda
Agência CNT de Notícias