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13/06/2018
Seminário discute políticas públicas para mobilidade urbana

Encontro debateu planejamento das cidades do futuro, economia do compartilhamento e regulamentação do transporte via aplicativos

Foto: CPTM divulgação


O Brasil ainda é um país muito dependente do transporte rodoviário, seja para o transporte de cargas, seja para o transporte de passageiros. A isso soma-se a falta de um planejamento de mobilidade que possa solucionar os graves problemas de trânsito que os centros urbanos enfrentam.

E como resolver esses problemas? Em que tipo de cidade esperamos viver daqui a 20 anos? Como a tecnologia pode contribuir para melhorar a locomoção nas cidades, com mais segurança e rapidez? Essas e outras questões foram debatidas no seminário “O Futuro das Cidades: políticas públicas para a mobilidade urbana”, realizado nesta quarta-feira (13), em Brasília. O evento foi promovido pelo jornal Valor Econômico.

“Para termos uma ideia da dependência que temos do carro e da sua falta de utilidade na plenitude, podemos ressaltar que um carro passa 95% do tempo útil parado nas garagens ou nos locais de trabalho”, explica Philip Yang, fundador do Urbem (Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole). Ele participou do painel sobre o planejamento das cidades do futuro e a economia do compartilhamento. 

Segundo Yang, precisamos pensar em um futuro que já conte com uma geração que não tenha o carro como bem essencial. Ele explica que, nos Estados Unidos, por exemplo, 250 milhões de carros ocupam um milhão de vagas. “O que poderia ser feito com esse espaço se não houvesse automóveis? Essas áreas poderiam se tornar públicas e, consequentemente, trazer uma nova forma de se viver nas cidades, com qualidade na locomoção e ocupação de espaços que antes eram destinados aos carros.”

Yang ainda frisa que atualmente vivemos uma escravidão do automóvel e que é preciso aumentar os investimentos em logística e conectividade para solucionar o problema. “Somos dependentes de uma única alternativa de locomoção. É preciso haver uma solução que traga uma organização urbana planejada para os cidadãos a fim de que eles, além de se locomoverem com mais rapidez e menos custos, possam tomar esse lugar que antes era destinado ao automóvel.”

Somado a esse planejamento urbano, é preciso buscar soluções de mobilidade urbana. Nesse sentido, a tecnologia dos aplicativos pode garantir soluções para a implantação de formas integradas de transporte urbano. Para isso, no entanto, é preciso haver leis sólidas que garantam o direito de ir e vir, tendo sempre o usuário como grande ator nesse cenário, na visão do advogado e professor de direito administrativo da USP (Universidade de São Paulo), Gustavo Justino de Oliveira.

“Os serviços precisam alcançar o objetivo que é ter o usuário como grande beneficiário. Para isso, precisamos ter qualidade nas leis. A lei precisa ser elaborada a partir da natureza do serviço, deve ser harmônica e agradar a todos os participantes do processo.” Justino ainda defende que a fiscalização dos aplicativos de mobilidade seja feita pela União. Na visão dele,  não é competência dos municípios legislar sobre essas tecnologias. 






Carlos Teixeira
Agência CNT de Notícias