Reflexões sobre a responsabilidade e a ética no uso da IA (inteligência artificial) na tomada de decisões marcaram o workshop "IA na Prática – Construindo Sistemas de Decisão Automatizados", encerrando o segundo dia do Executive Program, promovido pelo SEST SENAT em parceria com a Singularity University. A atividade reforçou a importância do fator humano no processo de transformação digital, destacando os desafios e as oportunidades da IA no mundo dos negócios.

No exercício prático, os mais de 80 executivos do setor de transporte foram desafiados a escolher, com base em critérios objetivos, um representante que combinasse honestidade e equilíbrio financeiro. As informações foram inseridas em um sistema de IA, que processou os dados e apresentou um resultado baseado nos padrões identificados. O experimento demonstrou, de forma dinâmica, como os algoritmos interpretam e reproduzem decisões humanas, reforçando a necessidade de critérios bem definidos e imparciais.

“A atividade mostra que todo resultado é baseado em dados escolhidos com seriedade e objetividade”, explicou Alix Rübsaam, pesquisadora especializada em interações entre tecnologia e comportamento humano. “Os algoritmos não existem isoladamente – são influenciados pelas decisões e pelos vieses de quem os programa e alimenta.”

Alix alertou os executivos sobre o impacto de suas decisões como líderes na construção e no uso da IA. “A forma com que configuramos a inteligência artificial influencia diretamente os resultados que ela gera para as empresas e para a sociedade. Cabe aos líderes garantir que esse processo seja transparente, ético e responsável”, ressaltou.

O Executive Program segue até essa quarta-feira (19), em Embu das Artes (SP), com uma programação voltada à inovação, inteligência artificial e transformação digital, trazendo especialistas para discutir o futuro do transporte e da logística no Brasil.

Crise ou oportunidade?

A tarde foi marcada por reflexões sobre as oportunidades que emergem para negócios e empreendimentos em momentos de crise, especialmente no atual cenário geopolítico. O cientista social, diplomata, escritor e economista Marcos Troyjo trouxe essa perspectiva ao apresentar a palestra "O novo capítulo da globalização: policrises ou polioportunidades", abordando as transformações nas redes globais de oferta e demanda.

Em uma análise estratégica para o Brasil, Troyjo destacou a crescente presença da tecnologia nos processos produtivos e gerenciais. No contexto de uma nova dinâmica de competição global, ele ressaltou o potencial do país para se consolidar como protagonista em setores-chave.

“O Brasil tem vantagens comparativas na produção de alimentos e na oferta de insumos para a transição energética. Pode escolher entre aproveitar ou desperdiçar as oportunidades geradas pelo atual cenário de conflitos internacionais. O caminho está aberto para avançar em suas potencialidades exponenciais.”

No campo tecnológico, o especialista alertou para um risco crescente: o aprofundamento da desigualdade digital. Segundo ele, o maior desafio não é a disputa entre humanos e inteligência artificial, mas a crescente divisão entre aqueles que dominam as novas tecnologias e aqueles que não têm acesso ou conhecimento para utilizá-las.

“A transformação digital não se trata de humanos contra a inteligência artificial. O verdadeiro embate é entre aqueles que estão alfabetizados e capacitados para operar nesse ambiente tecnológico e aqueles que desconhecem ou não têm acesso a essas ferramentas.”

A palestra reforçou a necessidade de preparar lideranças e trabalhadores para a nova realidade digital, garantindo que o Brasil não apenas acompanhe, mas também lidere essa transformação.

Da "policrise" à "polioportunidade"

O economista Marcos Troyjo descreve o cenário global atual como uma "policrise", termo que resume o impacto simultâneo de múltiplas crises e incertezas geopolíticas – desde guerras e disputas comerciais até a crescente polarização política. Como contraponto, ele propõe o conceito de "polioportunidade", que representa as possibilidades de crescimento em meio a esse contexto desafiador.

Segundo Troyjo, o Brasil tem a chance de se destacar no setor de transporte e logística, impulsionado pela agroindústria e pelo fortalecimento das relações comerciais com a China. Ele cita como exemplo as oportunidades que surgem para o país diante das sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos ao governo chinês.

Além da tensão entre EUA e China, o economista aponta outras manifestações da "policrise", como os conflitos no Oriente Médio e na Europa, além das consequências da pandemia da covid-19. Esse quadro tem acelerado um movimento de "desglobalização", no qual países e empresas reestruturam suas estratégias de forma mais protecionista e independente, adotando posturas de autossuficiência em setores estratégicos.

No setor de transporte, Troyjo também enxerga um caminho para o crescimento sustentável, com a prosperidade sendo impulsionada pela transição energética. Ele sugere que, em breve, a Ásia deverá se tornar um dos principais mercados para a oferta energética brasileira voltada ao setor de transporte.

“A prosperidade virá a partir da energia para a sustentabilidade verde”, destaca o especialista, reforçando que o Brasil pode assumir um papel central nessa transformação global.

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